Sábado, Dezembro 27, 2003
ALARGANDO O BALAIO
armengueiros e armengueiras de plantão,
hoje, 26, temos o prazer de apresentar duas novas figuras que foram convocadas para fazer parte do balaio editorial do ARMENGUE PRESS. tratam-se do poeta e compositor, Renato Negrão, e do fotógrafo Netun Lima.
com certeza, com essas novas presenças, esse blog deve engrossar o caldo textual e melhorar o tempero iconográfico.
então galera, é isso. aproveitem daí, pois daqui vamos armengando do jeito que der.
equipe ARMENGUE PRESS
postado por George Cardoso |
00:47
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Sexta-feira, Dezembro 26, 2003
SORO SONORO: Poesia, música, pessoas & adjacências...
taí, minha primeira aparição.
2003, um ano de escrita + marginal.
pensando mais em musica-los.
com estes, estreio no armengue!
[Renato Negrão]
+++++++++++
por que fiz o que fiz
e se fiz está feito
é que deu no que deu
e ele não tem defeito
derreti de repente
derrapei num rompante
apostei numa tola
atolei numa lama
estou átono e atônito
afoito e afônico
no posto de apóstolo
pitada de alpiste
só uma fã numa festa
no afã de uma sexta
carrossel automóvel
ela é vã e eu sou besta
++++++++++++
tutu
de cabelo
inhoque
de acne
pirê
de barata
ostra
ao catarro
pus
no prato
hum!
PUM!
++++++++++++
toda noite
seja quente ou fria
eu tenho um gato
por companhia
durante o dia
que situação
quero a meu lado
a presença de um cão
eu levo uma vida vadia
atropelando a cidade
um cão que de tudo ria
na maleabilidade
não é pra ser meu capacho
mas tem que ser no capricho
nem tem que ser fêmea ou macho
mas tem que ser mesmo o bicho
que vire a lata comigo
um companheiro no duro
e eu conte da treparia
com o gato em cima do muro
um gato que é meu coltrane
que tira um solo da rima
a história já é folclore
já não quer sair de cima
e vira a noite comigo
até me tirar o sono
só não toma o meu umbigo
sabe que eu não tenho dono
que eu levo uma vida vadia
atropelando a cidade
um cão que de tudo ria
na maleabilidade
não é pra ser meu capacho
mas tem que ser no capricho
nem tem que ser fêmea ou macho
mas tem que ser mesmo o bicho
postado por Renato Negrão |
20:59
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Quarta-feira, Dezembro 24, 2003
um continho de natal...
O NATAL DO NINO DO JEQUITIBÁ
[George Cardoso]
a vila se enfeita. os corações batem em busca de harmonia. o ano chega ao fim e o menino trepado no jovem jequitibá da praça nada entende. é dia 24 do último mês do ano, véspera do nascimento do messias. é aniversário do santo, aniversário do nino do jequitibá que em dez anos de existência não sabe o que é ceia nem soprar velas. o pai desconhece. mãe, com quem conviveu pouco tempo, não sabe onde está. uma das muitas concepções ilegítimas da vida. as pessoas do vilarejo passam pelas ruas animadas e eufóricas em busca dos últimos preparativos das comemorações. Dona Sinhá, esposa de Seu Cráudio da mercearia, passeia com os dois filhos com roupas e sapatos novos. o nino do jequitibá, que a tudo vê, não entende; pés descalços e velhos trapos. o açougueiro da feira anuncia: ''carne de carneiro, freguês!''. desconhece o nino do jequitibá: ''freguês?''; nunca freqüentou a escola o nino do jequitibá. ''carneiro. hum!'' - ronca, ronca de desespero e fome o estômago do nino que não come há dias. Tonin da Jéga chega com água fresca trazida do rio da cidade vizinha. seca danada e última castigou o povo do vilarejo. secos são os olhos do nino do jequitibá que sofre, não entende e quer chorar. loiro e polaco, o novo padre circula pela praça e a todos concede bênçãos e felicidades. o senhor aproxima-se do jequitibá e sente algo mexer na árvore. ''algum bicho deve ter aí'' - pensa o reverendo. ao notar o pequeno, o homem acena e diz: ''feliz natal, meu filho!''. inseguro está ele agarrado ao tronco do único amigo. ''feliz? natal? filho?'' - não entende o nino do jequitibá.
postado por George Cardoso |
10:53
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Segunda-feira, Dezembro 22, 2003
SUPLEMENTO LITERÁRIO NÃO VAI PARA O RALO
[Wir Caetano]
Desde que o poeta Anelito de Oliveira demitiu-se do "Suplemento Literário de Minas Gerais", há quatro meses, por falta de sintonia com o secretário de Estado da Cultura, Luiz Roberto Nascimento Silva, nenhuma edição viera à luz. Afinal, ninguém havia sido indicado para ocupar o cargo vago. Finalmente, na semana passada, uma boa notícia: o poeta e jornalista Fabrício Marques é o novo editor e, em janeiro de 2004, estará circulando a primeira edição sob sua batuta. Fabrício, autor de trabalhos como "Aço em Flor: A poesia de Paulo Leminki" (ensaio) e "Meu Pequeno Fim" (poemas), é um representante do que há de melhor na poesia brasileira contemporânea e, por isso, só se espera o melhor do Suplemento. O doce e o amargo. Seguramente não rondarão aquelas páginas nem os parnasianismos persistentes nem os amiguismos.
postado por Wir Caetano |
12:56
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O VÔO DA MATURIDADE DO ARTISTA
Depois de muitas experimentações sonoras, Babilak Bah retoma atividade literária em ''Vôomiragem'', livro que celebra a comunhão da música e da poesia
Netun Lima
Bah: ''O meu trabalho busca o entendimento do ser, da mística que o envolve; essa é minha grande preocupação''
[George Cardoso]
Tarde calorosa em Belo Horizonte. No café do Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes, um homem negro, corpulento e com ''dread lock'' está sentado à uma das mesas, bebendo uma cervejinha e lendo ''Oriki Orixás'', de Antonio Risério, poeta e antropólogo baiano e, também, assessor especial do atual ministro da cultura, aquele que canta.
Oriki é um gênero poético oral da cultura africana iorubá, uma espécie de evocação, prece, que revela as características dos orixás, as divindades do candomblé. Além de referências à diáspora africana, muitos outros gêneros poéticos compõem '''Vôomiragem'', livro do poeta e músico Babilak Bah, o leitor concentrado do café, que aguardava a reportagem de ARMENGUE para um bate-papo.
Poemas visuais que dialogam com o concretismo, prosas poéticas, letras e ''haicunhos'' - como o autor define seus hai-kais - preenchem as páginas do novo livro, concebido de forma independente com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e lançado durante a 2ª edição do Festival de Arte Negra de Belo Horizonte (FAN), que aconteceu em novembro deste ano.
Paraibano, radicado em Belo Horizonte desde 1995, Bah é mais conhecido como músico percussionista. Insistente perseguidor de novas sonoridades, Bah sempre buscou estar envolvido com estudo de ritmos e timbres, no que ele mesmo chama de ''Poética dos Tambores''. Essa experimentação sonora é uma marca no trabalho do artista, vista pelo público belorizontino, nos últimos anos, em shows como ''Afroprogressividade'' - espetáculo multimídia -, na oficina-show ''Enxadário: Orquestra de Enxadas'', quando difundiu sua ''tamborologia'', e na última edição do Conexão Telemig Celular de Música, quando dividiu o palco com o autor da ''Mitologia do Kaos'', o múltiplo artista Jorge Mautner.
Desde 2001, Bah coordena oficinas musicais para portadores de sofrimento psíquico na rede pública da Prefeitura de Belo Horizonte, o que culminou na produção do cd ''Trem Tan Tan'', lançado no ano passado.
Considerando-se mais maduro, em entrevista ao ARMENGUE, o músico e poeta expôs o universo complexo da sua arte de múltiplas influências, a essência de ''Vôomiragem'', que marca o fim de uma ingenuidade artística. Além disso, Bah revela-se um artista preocupado com a ''enfermidade social'' e o processo de ''maquinização'' sofridos pelo homem ''polido'' pela pós-modernidade.
Clique aqui e confira o bate-papo
postado por George Cardoso |
11:55
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