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...



Sexta-feira, Janeiro 09, 2004

PÓS-BLOGUISMO

[Wir Caetano]

Blogs, normalmente, se guiam pelo acaso dos dias. E pelo umbigo dos blogueiros. O Armengue Press, apesar de assentado no "tempo do improviso" sobre o qual discorreu George Cardoso na "Teoria do Armengue", tem, vez por outra, anunciado temas vindouros. É o famoso "aguardem...". Isso parece ser novo no bloguismo. E tem mais: a guarda dos armengueiros (nem tão nobre quanto as Guardas de Moçambique, mas igualmente fiel às suas relíquias culturais), em suas conversas tramadas por celulares, e-mails e mesas de bares belo-horizontinos, tem aventado reuniões de pauta, manuais de redação e quejandos tais. Para um blog? Talvez já esteja se iniciando um outro tempo, o do pós-bloguismo. Anotem aí: o pós-bloguismo está florescendo em Belo Horizonte, esse quintal metropolitano tão habituado às modernidades tardias.

Reprodução

(Angelus Novus, de Paul Klee)

postado por Wir Caetano | 06:53
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Quarta-feira, Janeiro 07, 2004

SORO SONORO: Poesia, música, pessoas & adjacências...

Olá armengueiros !!!

Novas parcerias>>>>
Téo Ruiz | Estrela Ruiz Leminski | Alice Ruiz >>>
Estrela é baterista e Téo toca violão e canta e
são os compositores da banda curitibana Casca de Nós.
Aguardem para o primeiro semestre de 2004 o livro da Estrela>>>
Cupido, cuspido e escarrado>>>


[Renato Negrão]


MIL VEZES NÃO

Música: Téo Ruiz
Letra: Estrela Leminski / Renato Negrão


Quem vê cara
Só vê televisão

Quem lê caras
Não sabe que horas são

Quem segue a risca e não o risco
Não recusa imitação

O tempo não tem freio
O acaso é o melhor correio

Quem prega o credo
Quem prega o dedo
Na cruz brega do desespero

Mil vezes não
Vil meses vão

O mundo faliu
E eu ainda não

Agora me reporta
Segredo mais que na chave
Está na porta

Dos mares o maior

Quem canta uma nota só
Não faz nada mas não leva a pior

Mil vezes não
Vil meses vão

O mundo faliu
E eu ainda não

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MEU PLANO

Música: Téo Ruiz / Leonardo Silva
Letra: Alice Ruiz / Estrela Leminski / Renato Negrão


Meu plano de saúde
É não ficar doente

Por isso eu pulo danço
E libero a minha mente

Faço o que quero
Se não quero sigo em frente

Se entro numa fila
Levo livro e aguardente

O ministério da saúde adverte
Eu me divirto

Se entro pelo cano
Não encano sai de mim

Muito hospital não é progresso
É doença "pera" aí

Passo a perna e desentorto
O chato do querubim

Se a morte chega aqui
Eu digo não é aquele ali

O ministério da saúde adverte
Eu me divirto

Se você ficou doente
Não pecou nem tá demente

Faz favor seja valente
Não tente o harakiri

Há quem assegure
Só faz bem comer caqui

Eu prefiro ouvir
Falcão Phillip Glass e Uakti

O ministério da saúde adverte
Eu me divirto

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SACI

Música: Téo Ruiz / Estrela Ruiz
Letra: Daniel Isolani / Renato Negrão



O crime por racismo é inafiançável
Mas justiça no Brasil não é pra pretos nem pobres
Aquele que pratica um crime de racismo
Já sabe que está muito mais bem amparado

Aqui ninguém tem grana pro advogado
E todos os processos são bem demorados
Quem tava ali do lado diz não ter ouvido nada
E vai ser conivente e não incomodado

Em briga de saci
Não tem rasteira

Os defensores do agressor estão lá na resguarda
E o preto na defesa faz o seu protesto
Ao mero pau-mandado da repartição
Não pode resolver ali situação

Nem a própria nem do próximo na repressão
O fato é que não se impede ninguém de ser racista
Até porque a ninguém se nega o direito a burrice
Mas se você passar pela segregação

Não deixe de levar em frente essa questão
Porque ela é de direito e mais que um mero fato
Faça parte dos que foram e não dos que ficaram
Brindando a inércia no lixo do ego

Em briga de saci
Não tem rasteira


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CADA CABEÇA UMA SENTENÇA

Música: Renato Negrão / Téo Ruiz
Letra: Makely Ka

O menino
De duas cabeças

São dois homens
Num mesmo corpo

O homenino
De quatro olhos

São dois cérebros
Num mesmo peito

O homem entra
Em desavença

Cada cabeça
Uma sentença

E não há
Um dos dois

Em um
Que vença

O menino
De duas cabeças

São dois homens
Num mesmo corpo

O homenino
De quatro olhos

São dois cérebros
Num mesmo peito

O homem entra
Em desavença

Cada cabeça
Uma sentença

E não há
Um dos dois

Em um
Que vença
O menino

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EXTRAVIO
Música: Renato Negrão / Renato Villaça
Letra: Renato Negrão


Palmilho
O extravio
No exílio do exílio
Costa pra constelação

Em todo passo
Distancio
Geme pedra
Só seu nome some não

Trivial
Distraio
Milhas da ilha
Esculpindo a solidão no sal

Vertical
Bambeio
Tal o trigo
E velho como o milharal

Palmilho
O extravio
No exílio do exílio
Costa pra constelação

Em todo passo
Distancio
Geme pedra
Só seu nome some não

postado por Renato Negrão | 18:03
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Terça-feira, Janeiro 06, 2004

NICKNAME: INFÂNCIA BRUTA

[Wir Caetano]

Aguardem resenha do livro "Menino Diamantino", do poeta Nikolaus Von Behr, o Nik Behr, velho papa da poesia marginal, cultor da "poesia rala". Cocanha da infância, mas cocanha com pimenta. O dodói e os doidos.

postado por Wir Caetano | 13:12
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resenhas&matérias

A poesia arejada de Bishop
por Wir Caetano

Armada América (Fernando Monteiro)
por Regis Gonçalves

Arthur Clough: breve nota
por Wir Caetano

A teia selvagem do mundo (Otávio Ramos)
por Wir Caetano

Entre sonetos, glosas e Armengue (Glauco Mattoso)
por George Cardoso

Enxugando gelo (BNegão)
por George Cardoso

Hughes faz arqueologia de vida com Sylvia
por Wir Caetano

bate-papos armengados (entrevistas)

Babilak Bah
por George Cardoso

riscados

Aluandê
por Wir Caetano

As Confissões de Lúcio (excerto)
por Fernando Monteiro

Cançoneta
por Wir Caetano

Confidência
Por Ricardo Aleixo

Dois exercícios de língua pária
Por Ricardo Aleixo

Inconsciência excitada
por George Cardoso

Lídia Estanislau, presente
por Regis Gonçalves

Mote do dia (LILS, parodiando FHC)
por Glauco Mattoso

O natal do nino do jequitibá
por George Cardoso

Pós-bloguismo
por Wir Caetano

Sambafunk
por Wir Caetano

Soneto 952 internacional
por Glauco Mattoso

Subject: Jorge (George) Cardoso
por George Cardoso

Teoria do Armengue
por George Cardoso

''Todos os dias são iguais"
por Fabrina Martinez

soro sonoro

Mil vezes, meu plano, Saci...
Por Renato Negrão com Alice Ruiz, Estrela Leminski, Makely Ka...

"por que fiz o que fiz..."
por Renato Negrão

Seu Alaor
por Renato Negrão

traduções

Cummings, Bandeira e eu
por Wir Caetano

outras guardas
no balaio...